De carne estragada a uso de produtos cancerígenos: veja as irregularidades dos frigoríficos - jornal O GLOBO

De carne estragada a uso de produtos cancerígenos: veja as irregularidades dos frigoríficos

Fraudes incluem venda de carne imprópria para consumo humano


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Dario Lopez-Mills/AP
RIO - De carne estragada a uso de produtos cancerígenos em doses altas, passando por reembalagem de produtos vencidos, carne contaminada por bactérias, misturada com papelão e venda de carne imprópria para consumo humano. A lista de irregularidades encontradas nas denúncias da operação “Carne Fraca”, da Polícia Federal”, é de assustar.

Carne estragada era usada para produzir salsichas e linguiças e promovia-se “maquiagem” de carnes estragadas com ácido ascórbico, substância usada para disfarçar a qualidade do produto e que em altas doses pode provocar câncer. Outra fraude encontrada foi a produção de derivados com uma quantidade de carne muito menor que a necessária, o que exigia a complementação com outros itens. Foram encontradas também carnes sem rotulagem e sem refrigeração. A adulteração chegava até à merenda escolar. Em um dos casos, foi constatada a venda de produtos sem proteínas de carne, apenas de soja, para a merenda de escolas do Paraná.


Em alguns casos, como do frigorífico Peccin, a operação da PF denuncia “armazenamento em temperaturas absolutamente inadequadas, aproveitamento de partes do corpo de animais proibidas pela legislação, utilização de produtos químicos cancerígenos, produção de derivados com o uso de carnes contaminadas por bactérias e,até, putrefatas”. Há diálogos que mostram uso de carne de cabeça de porco para a produção de linguiças.

Os diferentes casos de irregularidades são citados na decisão da 14ª Vara Federal de Curitiba, que esclarece, no entanto, que nem todos os frigoríficos investigados cometem todas as fraudes listadas.
A perícia inicial da investigação, explicou o delegado, recolheu material em supermercado que recebia produtos das empresas investigadas. Um deles era um mercado Walmart em Curitiba, segundo Grillo. O delegado afirmou que eram vendidos alimentos com alterações, carne fora do padrão com uma série de alterações específicas e químicas na carne.





"Usavam ácidos e outros elementos químicos proibidos por lei para maquiar o aspecto físico do alimento porque, se usados do jeito que usam, ele ficava com aspecto ruim, mau cheiro", disse Grillo. 

De acordo com a autoridade, também eram aplicados determinados produtos cancerígenos em alguns casos para poder maquiar as características físicas do produto estragado. Outras estratégias eram usadas que visavam reduzir o custo de produção, como a injeção de água na carne para aumentar o peso e a troca de proteína por fécula de mandioca ou proteína da soja, mais baratas.



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